terça-feira, março 24, 2015

do cuidado

Espalhou post-its pela casa.
Pra lembrar de nunca mais (se) esquecer.

Botou cadeado na mala.
Não voltou a ser quem já foi.



- o mundo ao contrário um muro do Humaitá, Rio de Janeiro, Fevereiro e Março -
e quando tudo parece não ter cor, "é só rodopiar em busca do que é belo e vulgar"

===

É sobre a tentativa de curar feridas abrindo buracos no corpo.
Expurgando-se.

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domingo, março 15, 2015

inunda_ção
Acorda de madrugada com o barulho do trovão.
Levanta sobressaltada.
Corre até a janela.
(Chove por dentro.)
Volta.
Vira.
Se revira.
Tem febres suores tremores deliriuns.
Procura vírgulas.
Acha pilhas, pílulas, três chaves que não abrem (nem fecham) porta alguma e uma garrafa d´água, só que vazia.
Não tem mal.
Também não tem cura.
Mas, dói.
E chove. Chove. Chove. Chove. Chove. Chove. Chove. Chove...


atravessando a Osvaldo Aranha, antes de entrar no parque Farroupilha
Porto Cinzalegre -



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sábado, fevereiro 28, 2015

Auto-ajuda detox
ou
Receita pra atravessar fevereiros* indóceis


Dia 1:
Corte os excessos.
(Ângela Rô Rô está proibido)


Dia 2:
Tome banchá, coma arroz branco.
(Dormir mais que 6 horas, sem acordar no meio da noite - e, sobretudo, sem sonhos -, pode ajudar)


Dia 3:
Ligue pra um amigo. Peça colo, carinho e cafuné - literal, moral ou virtual.
(Esqueça o WhatsApp. Se ele não atender, tente telepatia)


Dia 4:
Vá à farmácia, encha o carrinho.
(Avamys, Naramig, ibuprofeno 600mg, xarope, algum Engov e toda solicitude de uma atendente mal remunerada num dia bom  #ad )


Dia 5:
Tenha calma. Paciência. E um pouco de fé.
(fale pau-sa-da-men-te. 5 livros mais-ou-menos lidos no criado-mudo. TV alguma. Faça planos de viagem. Desfaça tudo)


Dia 6:
Repita o dia 1 e o dia 2.
(Mas, vá pra rua. Tome um ar. Saia um pouquinho de si. Porque quem de dentro de si não sai / vai morrer sem amar ninguém”. Aproveite, e mande um Salve! pra Vinicius)


Dia 7:
Espere.
(e esqueça)




tente (só)rir. inclusive de si mesmo.
(fuja do Netflix e evite filmes fofinhos, mas com final romântico demais)
- S2 Susan S2 em Tudo acontece em Elizabethtow” -





De repente, é quase março.
Ou setembro*.



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quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Das pequenas distrações cotidianas
Ou do como a gente perde o ponto focal do que é mesmo importante:


Ela me olhava, debaixo da marquise, enquanto eu fotografava a casa abandonada.
Mas só a vi depois, pela tela do celular.
(Carece colar a foto aqui. Seu olhar era de tristeza.)


===
É engraçado como a gente repele o que parece muito com a gente.



Da minha janela, perdõo a vizinha do prédio ao lado pela toalha do Romero Britto.
“Perdôo o quanto me fui / do que me fiquei / Por me levar / Por não saber o mal que me fiz”



[nota de rodapé]
Megalomania é uma merda.
Eu mesma: acho que as minhas lágrimas são mais salgadas que a dos outros. (e elas são)



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domingo, janeiro 25, 2015

(de) leve

Nem terminou janeiro e ela já chorou/amou/choveu, em um mês
A previsão do ano inteiro

[é que ela andava dada a poelitizações e neologismos.
& também a haicaizinhos bestas.]



Jorjão dos Diamantes, Madame Luna, o shoyu et moi. 
Mercado Púbico de Portalegre. Verão. 2014/2015


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E, quando convém, ela valsa sozinha (e suspira/chora/ama/chove mais um pouquinho) na sala, ouvindo Chico. 
E o “coração parece que perde um pedaço” quando ele entoa:



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sexta-feira, janeiro 09, 2015

Crônicas da Volta do Recesso da Análise

Cheguei, sentei e disse bem assim pra dotôra da cabeça: "Tive um insight incrível semana QUE VEM".
Obviamente, era pra ser "semana passada".
Obviamente, ela perguntou, no fim da sessão: "Mas, afinal, Joelma, o que vai acontecer semana que vem?".
Obviamente, eu respondi: "E eu sei lá o que vai acontecer semana que vem?!".

Só sei que: ato falho involuntário trabalhamos sim Dollynho.

Obviamente, a trilha sonora incidental desse post só podia ser essa música lidja desse disco todinho lindjo do Vitor Muso Ramil.



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domingo, janeiro 04, 2015

TRANS-MUTAÇÃO


Comprou um espelho novo.
Pra se ver: melhor.
E se viu.
(serviu)


A Equilibrista tem destreza, leveza e graça, mas a Dançarina…ah, a Dançarina!
ou: o dia em que Madame Luna jogou suas cartas para mim. Centro de São Paulo.


====


Uma vida inteira baseada em expectativas de menos, mas “talvez com sorte, algo invisível apareça”. 
Ou não.



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sexta-feira, janeiro 02, 2015

dois mil e kitsch
"Olho por cima das cortinas
por dentro das revistas
e vejo o meu sorriso no ar
Estou na porta e na janela
na paz, na calmaria
no disco voador do amigo"

Porque hoje não é domingo (ou é?), mas é segundo de janeiro.
Porque nenhum de nós foi abduzido (ainda).
Porque Raulzito vive e todo mundo tá feliz aqui (tá, sim, bitch, nem vem dizer que não tá e quebrar minha vibe).
Porque sim.

...

Num dia azul, você dobra à esquerda e encontra a (travessa da) paz. Poa.


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segunda-feira, dezembro 29, 2014

sobre o amor quando ele chega ao fim

Deu na novela: não tem nada mais triste que um amor quando chega ao fim.
Pra onde vai o amor depois que ele morre? Existe vida após o amor, amiga Cher?
Não tem o que fazer quando morre o amor. Tentei massagem cardíaca traqueostomia pneumotórax.


Nada pior que um amor quando chega no fim.
Coisa de novela.
FIM


tem amor no banheiro do Consultório Culinário, sim
rua da república, centro do universo

===
Trilha sonora ocidental: um tango argentino, obviamente (embora Gardel tenha nascido em Tacuarembó. Dizem.)


===
Promoção relâmpago: conte quantas vezes a palava "amor" aparece nesse post e não ganhe nada. S2




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domingo, novembro 23, 2014

CONTEMPORÂNEA

Andava vendo poesia em tudo.
(Venenos)
Fumava só pra ter algo entre os dedos.
Palavras.

Tentava entender em que [diabos] era boa.
Em vão.

Flanava (em Paris) como quem flutua. Só que usando o Google Maps.


Rue du Père Guérin. 13e arrondissement. Parrí 
(é pra lá que eu vou quando estou sozinha na minha cama, Peter Sarstedt)


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terça-feira, outubro 28, 2014

nidificar

ni.di.fi.car
(lat nidificare) vint Fazer o ninho: Ali nidificaram os pardais.

A metáfora da chave como algo que abre ou que fecha (portas, gavetas, tesouros).
A metáfora da porta: “pra conter ou pra deixar passar”.
E uma vida inteira baseada em metáforas demais.


- minha casa que é meu reino -
Parque Farroupilha aka Redenção, Porto Alegre
arte sobre muro da Nina Menina Querida Moraes


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domingo, outubro 12, 2014

dos regionalismos
Entraram em silêncio e pediram dois cortados.
Podia ser uma metáfora sobre como estavam se sentindo, mas eram só dois cafés com leite mesmo.

que digam. que pensem. que falem.
gatito e corujagram na parede.
ramiro barcelos, ladeira abaixo, portalegre


(porque é de melancolia que é feita a milonga)
joelmilongas




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quinta-feira, outubro 02, 2014

seco

socorro
tem um 
deserto
dentro
de mim

....

Você que me acha muito corajosa, não sabe a dor que é tomar cada decisão e os fantasmas que me visitam quando anoitece. 
Quando elas acontecem. 

se é pra me fuder, que comece me beijando
rua Antônio Carlos, Consolação, São Centro do Mundo Paulo

...

"Tem dias que a vida é um ato de coragem"E por que ninguém nunca me disse que Vanguart era tão da hora? Como faz pra parar de ouvir no repeat? Por que eu faço sempre tantas perguntas?



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domingo, agosto 31, 2014

sobre tesouros e princesas adormecidas

[ aqui vai um link quebrado sobre a Tara Red ]

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Também é quase desimportante não ter planos.

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"Hipotecas precisam ser declaradas": deu na novela.



comando selva #olheosmuros
(Av.) Independência (Porto Não Muito Alegre. Sul do Brazil)

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A psicanálise salvou minha vida. Mas quem vai me salvar da psicanálise?


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domingo, agosto 03, 2014

do desapego
abri a caixa
e joguei fora,
um por um,
todos os rancores
guardados.

[é só um haicai sem rima. não é auto-biográfico, nem uma solução.]


- rayuela -
- R. Santa Terezinha, Farroupilha, Porto Alegre -


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domingo, julho 27, 2014

de álogos
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respondendo...
Tava aqui respondendo teu e-mail, deu um pau e ele sumiu!

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lento.
é. existe coisa pior???
tem horas que ele trava e vc não faz mais nada.
tem que reiniciar. sempre.

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olhe os muros. Av. Venâncio Aires, Porto Alegre. ano: 2012

== Trilha sonora acidental: a discografia completa dos Mutantes. Amém. ==


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segunda-feira, abril 21, 2014

da dor e seus demônhos

Costumava ouvir Legião Urbana quando estava muito triste.
Naquele dia, ouviu a discografia inteira e ainda o disco em italiano do Renato Russo.


É preciso transformar a dor em qualquer outra coisa que já não doa ou que faça parar de doer.
É preciso transformar a dor em alguma poesia qualquer.


O que você oculta de si mesmo? Perguntas retóricas demais.
Artifícios.


- Há coragem, sempre, agora. Sempre. Sempre.
Vital Lordelo num muro da Rua da República - Cidade Baixa - Porto Alegre. -


Hoje não tem trilha sonora de background. 
Sem banda. Sem orquestra.

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domingo, abril 06, 2014

#eujá*

Eu já usei crocs.
Eu já fui magra.
Eu já morri d´amor (mas ressuscitei depois).
Eu já tive unha encravada.
Eu já gostei de coisas que não gosto mais.
Eu já li Paulo Coelho.
Eu já me arrependi.
Eu já me fiz de vítima.
Eu já escrevi poesia! OH WAIT!
Eu já torci o dedo mindinho do pé. Esquerdo.
Eu já vomitei na pia da cozinha da casa da mãe de um amigo. (ok, abafa)
Eu já fiz luzes no cabelo.
Eu já fui abduzida. #tôbrinks 
Eu já achei que meu caminhãozinho era pequeno demais para a areia alheia. E nem eras.
Eu já comprei gato por lebre.
Eu já fui jovem.
Eu já fui míope.
Eu já tive um blog. (mas não espalhem)
Eu já bebi água de Afrodite, que nem era pra ser bebida. E, depois, bebi água da Lagoa dos Patos. #tudoverdade
Eu já xinguei muito no Twitter.
Eu já fui bedel da vida alheia (mas aprendi com o @albumdefamília que isso é super out e #baixoastral)
Eu já meti o nariz onde não fui chamada. #soudessas
Eu já caí andando de bicicleta duas vezes no mesmo dia. #winner
Eu já chorei assistindo o Jornal Nacional. Mas, quem nunca, né?
Eu já fui irônica com quem não entende ironia.
Eu já cantei (e dancei) na chuva.
Eu já quebrei a cara.
Eu já tive vontade de quebrar os dentes de alguém.
Eu já briguei na rua.
Eu já floodei. E floodo ainda. Floodo mesmo.
Eu já disse que ia e não fui. E vice-versa.
Eu já contei até 10 antes de explodir.
Eu já me perdi por aí. Mas depois me achei.
Eu já perdi as estribeiras.
Eu já achei dinheiro na calçada.
Eu já dormi na calçada.
Eu já tive um bicho de estimação imaginário.
Eu já espiei pelo buraco da fechadura.
Eu já fiz o jogo do copo.
Eu já me levei a sério.
Eu já iscrevi erado.
Eu já fiz 30. E sobrevivi a isso.
Eu já menti. Mas, também, eu já disse a verdade. Muitas vezes.
Eu já fui o que eu comia. Mas, agora, eu não sou mais. :P
Eu já levei uma pancada na cabeça e tive amnésia seletiva por 1 dia. #juropordeus
Eu já tive medo de dentista e de barata. Hoje, eu só tenho medo de morrer de forma violenta & estúpida. E de sapo.

~ originalmente escrito em tweets há exatamente 2 anos atrás. Um lindo orefecimento Timehop. ~ 


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domingo, fevereiro 16, 2014

diamante louco
"Com o vazio que sobrou do churrasco de domingo e com afeto / fiz teu carreteiro predileto / pra você parar em casa / qual o quê..."

Da série Poesia Croquete, tomo 1.

...

(sério, é essa a vibe. de que tem um monte de coisas do lado de lá que eu ainda não ousei.)
fragmento de diálogo com a Erica, via gtalk - 15 de março de 2011



- até quando? -

#pergunteaomuro
Av. João Pessoa - Centro de Porto Alegre




Se você tiver que escolher entre você e o seu amor, você escolhe quem?”. Podia ser a pergunta retórica do dia, mas é só a trilha inspiradora da Karina Musa Buhr. S2



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domingo, fevereiro 02, 2014

sanar
O que acalma um coração cheio de urgência?

café quentinho jorge drexler banho frio ouvido de amigo cheiro de lavanda riso de criança céu-limpíssimo-nenhuma-gota-de-chuva um gole de rum estrela cadente confete & serpentina letras miúdas em papel pautado flor no cabelo pastel de feira

ausências de pontos finais


portos


fins


...


Sentindo uma imensa necessidade de preencher lacunas, foi lá e zerou as palavras cruzadas.

...

Ainda sobre significados e pontos de vista: "pena" pode ser piedade ou punição. Pra pensar e ficar tudo na língua do pê.

Pseudos-aliterações.



- GEOGRAFIA (também) É AMOR - 

#amornomuro
rua riachuelo, centro histórico, porto quente & alegre
...

No meu pé d'ouvido, uns menino (sem plural) de Brasília me dizem que "beleza é abraçar contradição".
E é, mesmo.


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